jueves, 7 de diciembre de 2017

“ A MULHER E A FESTA BRAVA “ SE NÄO SABIA FICA A SABER. 3ª PARTE.

POR: JOSÉ CARLOS  AMORIM

“ A MULHER NA TOURADA “
Se uma mulher decidir tourear, a pé ou a cavalo, terá de enfrentar muito mais dificuldades que um homem com a mesma opção. “
ANGELA MATADOR DE TOROS


Homem e Mulher. Dois seres que apesar de muito semelhantes, serão sempre diferentes em determinados aspectos. Um deles é a tourada.

Se uma mulher decidir tourear, a pé ou a cavalo, terá de enfrentar muito mais dificuldades que um homem com a mesma opção. Aliás, as maiores dificuldades vêm precisamente dos homens. Estes, ou por inveja e medo de serem destronados do seu posto de heróis ao tourearem com elas, ou simplesmente por machismo, estão seriamente convencidos que o toureio é coisa de homens. Um bom exemplo foi João Núncio, nos anos de quarenta, ao vetar as corridas com Conchita Cintron por receio que no confronto entre ambos se notasse que ela além de tourear divinamente a cavalo ainda se desmontava para lidar o animal de capa e muleta. Feria-lhe o orgulho. Talvez fosse pelas razões atrás apresentadas que em 1908 apareceu a lei CIERVA, que interditava o toureio às mulheres.
A lide de vacas por mulheres vem já desde o século XVII, datada de 1776 a água forte número  32 de Goya, retrata uma toureira e pode ler-se a seguinte legenda     “valor varonil de la celebre Pajuelera “.

A arte de tourear exige pessoas corajosas, livres de medo e com talento natural.


 Algumas mulheres mais conhecidas nesta arte, mostram ser capazes de dar tudo por tudo por ela, inclusive a própria vida. Angelita 15 anos, que em Maio de 1895 toureou até ao fim da corrida, apesar de ter levado cornada de 3 cm, na coxa direita, logo no inicio; ou a sua rival Lolita, que em l897 foi a Huelva estoquear dois bezerros, doze dias depois de ter levado uma cornada que lhe rasgou a face esquerda.
Tina Cardoso não teve muita sorte, pois não conseguiu demover o pai, embora    se tenha apressado a telefonar para uma escola de toureio no dia seguinte a atingir a       maioridade. Mais tarde recusou participar numa festa em que teria de tourear vacas          corridas, pelo simples facto de que iria apenas divertir a assistência por ser mulher.      ficou satisfeita por ter cumprido a sua verdade de toureira, voltando seguidamente             ao anonimato.

Ana Maria, descoberta aos dezasseis anos, chegou a profissionalizar-se e a viver do toiro durante três anos. Para alguns toureava melhor a pé que Conchita Cintron, mas recusou participar em vários espectáculos de variedades como atracção. Ou era verdadeiro ou não era.
Tirando algumas excepções, a maioria destas ilustres mulheres, não se chegavam a profissionalizar acabando por abdicar a favor de outras coisas, como Conchita Cintron que esteve vinte anos sem montar para poder dedicar-se inteiramente à sua família. Para ela a corrida de toiros era uma forma de expressão, achando particularmente emocionante o facto de não ter calendário, não saber se estava viva até ao fim da corrida.

                                   Estas mulheres mereciam que o meio taurino português fosse mais justo com elas.

Noutra perspectiva, a mulher aparece na tourada como um símbolo da sensualidade, “ se me amares Carmen, em breve sentirás orgulho de mim “  dizia Escamilho à porta da praça, antes de começar o toureio.
Há muitos anos os toureiros dedicavam o “ brinde “ às mulheres. Este brinde consistia em dedicar o toureio ( faena ou sorte ) à sua amada. Para tal efeito, o toureiro colocava-se na direcção da mulher a distinguir e proferia breves palavras. Se fosse cavaleiro tirava o tricórnio para o brinde e os forcados ou os espadas atiravam a “ montera “ ou o barrete. As mulheres que recebiam uma dedicatória podiam considerar-se as mais lisonjeadas, visto que todas as que assistiam dependiam dos toureiros. Em Espanha, depois de matarem o toiro, em vez de só proferirem algumas palavras, cortavam as orelhas, o rabo ou uma pata ao toiro e dedicavam-nas á sua preferida.
Contudo, e apesar da sua raridade, as mulheres podiam reprovar o acto, para isso usavam palmas de tango, se pelo contrário gostassem, o que acontecia todas as vezes, batiam palmas e ovacionavam o toureiro.
Nessa altura o toureiro que conseguisse matar o toiro mais rapidamente possível e com o menor número de golpes, seria o mais forte e corajoso. Muitos homens apenas toureavam para poderem mostrar a sua virilidade a todas as mulheres e não só às que assistiam à corrida
Para conseguirem conquistar o toureiro, isto é, ter o toureiro dedicado a si sentavam-se em sítios estratégicos e usavam vestidos resplandecentes. Estes eram adornados com brilhantes, lantejoulas, folhos e rendas. Usavam também as suas melhores mantilhas e véus. Os fatos eram muito compridos e as cores predominantes eram o vermelho, o preto e vários tons de rosa. Em suma, fatos que despertassem a atenção de todos, especialmente a dos toureiros.


Podemos assim dizer que a mulher já teve um papel essencial na tourada          
 Exemplos

 Elvira Guerra, Maria Salomé, Josefa Mola, Juanita Cruz, Maria da Graça, Elisa Sabina, Maria Paz Vega,Cristina Sanchez, Ana Maria e mais recentemente Maria Sara, Patricia Pellen, Sónia Matias, Ana Batista, Marta Manuela, Mónica Monteiro, Ana Rita, Joana Andrade, Isabel Ramos e tantas outras em Espanha.
Angela foi a que conseguiu depois de muito lutar a igualdade da mulher perante os homens no parlamento Espanhol e tomo a alternativa de matador de toros.
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 Apoderamento e representação de toureiros. Organizações Tauromáquicas Nacionais e Internacionais.
Consultor Tauromáquico, Marketing e Promoção.

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